Quais reflexos da pandemia e qual reflexão temos feito?

A pergunta que fica é: qual reflexão que temos feito durante a pandemia e quais seus reflexos no mundo todo?

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Por Bruno Zancheta.*

                  Muito tem se falado sobre este longo e quase infindável período de quarentena que estamos vivendo, pois sabemos apenas quando ele começou, mas não sabemos quando ele irá se encerrar. A primeira data que está posta e pré-estabelecida seria dia 30 deste mês, porém, baseado em outros países e suas experiências de isolamento social, ela deve se alongar….A pergunta que fica é: qual reflexão que temos feito durante a pandemia e quais seus reflexos no mundo todo?

              Economicamente o reflexo é visível em todas as partes do mundo. Com os estabelecimentos fechados ou mesmo funcionando com a realização de entregas em domicilio, os comerciantes têm enfrentando dificuldades para vencer a “crise do  coronavírus”. A economia chinesa, por exemplo, a segunda maior do mundo, “tombou” e com certeza irá precisar de um tempo bastante dilatado para se reerguer novamente apesar de toda sua força. Os Estados Unidos, maior expoente econômico mundial, depois de 113 meses, registrou, através do Departamento de Trabalho do governo, uma queda nos empregos, foram 701 mil demitidos, ficando latente a desaceleração econômica. Além disso, o presidente Donald Trump promulgou um pacote de US$2 trilhões de dólares (R$ 10 trilhões de reais), o maior da história americana, para o alívio dos impactos do coronavírus na economia norte-americana.

               O inevitável é a quebra do ciclo econômico e o desbaratamento das inúmeras cadeias produtivas, provocando mudanças profundas no comportamento do consumidor, agora mais introspectivo. Outra percepção de cunho estratégico é acerca dos riscos de se depender monopolisticamente de uma única fonte produtora, no caso a China, um verdadeiro dragão vestido de cordeiro, o que colocou o país de joelhos ao depender exclusivamente de seus produtos.

                Em nossa região, a de São Carlos, não é diferente. Mais de 50% das indústrias já estão sem materiais que vem da China e enfrentam dificuldade para compra de matéria prima para os serviços essenciais e consequentemente para sua produção final. Os hospitais têm sofrido também com falta de máscaras, aventais, respiradores, álcool gel e outros produtos. O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil irá sofrer uma queda 0,5% em 2020 em razão da pandemia, segundo pesquisa do Bank of América (Bofa) e em 2021 a expectativa é que voltemos a crescer novamente. O presidente Jair Bolsonaro sancionou recentemente um auxílio de R$ 600,00 a trabalhadores informais, sendo duas pessoas da mesma família por até três meses, como medida para ajuda a população durante este período crítico do COVID-19 e, além disso, os governos estaduais e municipais tem também adotado medidas que vão nesta direção única de amparar as pessoas. Todos estes reflexos que surgem travestidos de dificuldade precisam ser enfrentados, apesar de todas as limitações.

 

                Para médicos infectologistas e pesquisadores da Fiocruz e de Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (NOIS), o pico da epidemia irá ocorrer no Brasil entre os dias 25 e 30 de Abril e a fase atual do COVID-19 em nosso país pode ser chamada de pré-pico. Apesar disso, os números são alarmantes: são mais de 14 mil casos confirmados e mais de 650 vítimas fatais. A preocupação do Ministério da Saúde neste momento é que vamos vivenciar três picos de forma simultânea: COVID-19, dengue e influenza. Mesmo diante de todo este quadro grave, o momento é de cautela e ponderação, é hora de “resistirmos” mais um pouquinho. Apesar de enérgicas, são medidas necessárias neste momento, precisamos entender tudo isso. É hora de aproveitarmos o tempo com nossa família, seguindo os devidos cuidados, é momento de curtirmos momentos que, com a correria do nosso cotidiano não conseguimos fazer e realizarmos uma profunda reflexão, valorando ainda mais nossas vidas! Há que se buscar o equilíbrio entre o ter e o ser!

                Apesar disso, o isolamento social que temos realizado e que, sem sombra de dúvida está funcionando, haja vista a explosão de casos que outros países com um número populacional bem menor que o nosso sofreram. Obviamente que, a população italiana, por exemplo, tem uma idade, na média, bem maior que os brasileiros, porém, as medidas tomadas aqui, por incrível que isto pareça, foram mais rápidas do que os nossos queridos italianos. Caso este isolamento não fosse realizado, segundo dados do governo de São Paulo, teríamos hoje em nosso estado mais de 50 mil casos, um número dez vezes maior que o atual.

                Outra reflexão de suma importância que devemos realizar vem da própria natureza. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) divulgou dados no último dia 20 de Março, durante o período da quarentena, que a poluição na cidade de São Paulo diminuiu de forma significativa em 29 locais que receberam medição na região metropolitana e a qualidade do ar na capital paulistana é considerada boa. A resposta da natureza nos mostra que precisamos refletir em caráter de urgência! As águas dos canais de Veneza, na Itália, estão mais claras e nítidas sem a presença dos turistas e barcos em razão do COVID-19, os canais estão limpos depois de um longo período, são respostas da natureza para nós! A incidência desta e anteriormente, de outras ameaças virais nada mais é do que o grito de alerta da mãe natureza, agredida ao limite, mostrando que rompidos seus limites de sustentabilidade, o desequilíbrio decorrente será dramático para o homem. Ou mudamos ou seremos aquinhoados com novas irremediáveis surpresas a seguir!

                Nosso intuito aqui é alertar que a prevenção e a precaução são neste momento o melhor remédio, vale à máxima: “é melhor prevenir agora do que remediar depois”, ou seja, ou seguimos a cartilha da quarentena de forma rigorosa ou depois seremos reféns de medidas paliativas que podem nos custar á vida. As percepções individuais de renúncia e de busca de autoproteção são importantes sim.

              É notório que temos sentido falta daquele carinho diário, do contato com nossos familiares e amigos de forma mais efetiva e afetiva, porém precisamos ser responsáveis e seguir também todos os protocolos de higiene (lavar as mãos, álcool gel, luvas, mascaras) e às políticas públicas de saúde, mas o problema é mais embaixo, pois se refere também ao respeito à natureza! Apesar dos reflexos notórios da pandemia, a reflexão, realizada aqui, aí, dentro de cada um de nós, precisa ser muito mais ampla e global.

* O autor é Professor da Rede Estadual de Ensino, Cientista Político, Cientista Social e Antropólogo pela UFSCar- Universidade Federal de São Carlos. Graduando em História pela UNIP -Universidade Paulista, Assessor Parlamentar e apaixonado pela vida. É colunista dos sites: São Carlos Agora, Sucesso São Carlos, Região em Destake, São Carlos Dia e Noite, dos Jornais “Primeira Página”, “Gazeta Central” e da Revista Ponto Jovem. Idealizador e Coordenador da Ação Social “Unidos Somos Fortes”.

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